Nervoso, com uma cara de amor no mundo dos negócios (e na vida em geral), o homem de terno pediu um isqueiro. Ele estava trêmulo. Não o culpo. A pessoa no chão tinha acabado de morrer. Era "transcendental" aquela cena, que alguns dizem que é a alma saindo do corpo. O sangue ainda estava quente, a pele; rosada, o corte; fresco. Tinha uma certa inocência, uma inocência e uma bondade que homens de negócios, os tais capitalistas selvagens, mercadores da morte, pessoas supostamente educadas que lucram com a morte de milhares. Era bom, até certo ponto. Odeio esses homems de negócios super-gananciosos, que realmente acreditam que a vida não passa de uma buscar incessável (até a morte) por dinheiro. Odeio pessoas inocentes demais (odeio radicais), que geralmente são inteligente e burras. "Inteligentes" porque sabem tudo de geografia, história, matemática e dezenas de outros motivos pelos quais eu abandonei o colégio. Burras porque não entendem da matéria mais importante que nenhum colégio ensina. Não sabem mentir, trapacear, fingir e não entendem nada sobre pessoas. São pessoas ingênuas, pouco observadoras, na maioria dos casos. Não é uma questão de ser marginal, por saber mentir e fingir, é uma questão de ver o mundo e conseguir entendê-lo, conseguir lê-lo. É duvidar dos padrões da sociedade. Duvidar do "certo" e do "errado", duvidar do "normal" e do "anormal", do "bonito" e do "feio". Algo que até quem nasce em berço de ouro pode obter, isto é, se estiver disposta a sofrer para ver o mundo como ele é.O homem inocente me viu matando o homem culpado. Uma pessoa diabólica. Muito pior que qualquer assassino, fugitivo ou ladrão.
Estava escuro. Mais do que o normal. Só se via a chama de dois cigarros. Acho que aquele homem nunca fumara antes, pois cada tragada era seguida de intermináveis tosses. Nós dois estávamos em silêncio. Não havia o que falar, não havia o que fazer. Uma pergunta quebrou o silêncio:
- Você vai me matar ?
Não sei se devo. Acho que sim.
E simples assim, aquele homem inocente me matou.
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inocente?
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